Nirvana – Live at the Paramount (Universal Music)
Por: David Mattos
Dissertar sobre a importância do Nirvana para a música mundial (percebam, não digo “rock mundial” e sim, “música mundial”), é exercitar o óbvio.
Penso, repenso, converso com amigos mais entendidos do que eu, e a opinião é praticamente unânime, Nirvana foi a última grande banda da música mundial. Uma dessas que ditam eras, que tornam-se marcos. Talvez pelo modo como hoje a música é feita, distribuída e consumida, já não exista mais espaço para bandas deste porte e, talvez exatamente por isso, Nirvana tenha se tornado tão importante e definitiva.
O DVD: Nirvana – Live at the Paramount, nos brinda com a banda no ápice do seu vigor, da energia que nos acostumaram a vê-los, e destilam por quase uma hora e quarenta minutos a nata dos seus álbuns. O show, gravado em 31 de outubro de 1991, mostra a banda um pouco mais comedida do que o show que haviam feito no mesmo ano em terras tupiniquins, onde Kurt estava notadamente alterado por substâncias um pouco menos lícitas do que o chazinho da vovó, e que teve a participação de Flea no trompete. Neste, Flea não aparece, mas a banda – ainda que mais comedida do que no show brasileiro – executa o repertório de dezenove canções com uma verdade que hoje em dia dificilmente se vê.
Nirvana é um marco pois foi o principal ator da cena grunge, do rock sujo mas verdadeiro, e que hoje, com a clareza que o distanciamento dos anos nos dá, se mostra tão importante quanto o punk foi na década de 70.
Nirvana é um marco pois é o limiar de uma época em que as bandas ainda tocavam pela música, e música poderia ser percebida como uma manifestação artística, e não apenas como mais um produto da indústria do entretenimento.
É um DVD não apenas para se assistir, mas para se comprar e guardar com carinho entre os melhores da sua estante. Um registro de um vulcão em plena atividade, um abalo sísmico, um divisor de eras. O ponto alto de um momento da música mundial que já não possui mais espaço desde que a música deixou de ser arte passou a ser tratada como comodittie.
Não hesite, assista!









