Jay Vaquer – Umbigobunker!? (Lab 344)

Por: Luciano Vitor

Nota: 10

Poucos artistas tem o poder de fogo que Jay Vaquer possui.  Filho de músicos, artista de mão cheia, Jay Vaquer fez de 2011 um ano promissor e com seu sexto trabalho chegou a fase de consolidar o talento que sempre teve e a crítica teve a ousadia de ignorar.

Inexplicavelmente bandas ruins e artistas pré-fabricados poluem as rádios, enquanto Jay Vaquer chega aos ouvidos de poucos. Tem explicação?

Vaquer é um daqueles casos sem explicação e ao mesmo tempo é um retrato da desigualdade musical que vivemos. Um país onde o duvidoso gosto se alastra pelas mídias e artistas de tal calibre batalham até a última faixa de um trabalho portentoso para sairem e se manterem fora do lugar comum. A palavra que não combina definitivamente com Jay Vaquer, comum.

Com uma abertura única, “Meu Melhor Inimigo” é canção que deveria estar em aberura de novela (esqueci, Jay Vaquer não é lugar comum…), tocando em rádios, ou sendo trilha sonora de filme. Uma canção cheia, com força incomum e situando o ouvinte de maneira tal que acaso existisse de verdade singles a venda no país, esse seria um que deveria ser o número 1 do ano!

Trafegando fácil entre um pop luxuoso e a facilidade da música que deveria chegar as massas, “Dia Desses” é um reprocessamento das canções oitentistas que os mais velhos hoje lembram de maneira saudosa.

O eletrônico não poderia ficar de fora e “Ah, Mas Bem que Você Gosta (Coprófaga)” é o retrato fiel do rock bem medido com efeitos iniciais da música eletrônica. Letra simples e efeito devastador.

E assim segue o destino de um dos melhores trabalhos já lançados em 2011. Ousadia pop elevada a enésima potência de um poeta que expõe as vísceras de sua alma, sem medo de ser tudo ao mesmo tempo para remanufaturar sonhos, transformar letras em videoclipes sonoros sem imagens e acima de tudo, acreditar em seu próprio talento!

O cd inteiro já seria tremendamente estupendo caso quem o ouvisse ficasse na sua zona de conforto de três ou quatro canções de praxe, mas chegando a sexta, “Do Nada me Jogaram aos Leões”, com a participação de Maria Gadu, que larga sua zona de conforto e mostra sua potente extensão vocal sem amarras, sem medos e muitíssimo bem acompanhada.

Defintivamente todos os adjetivos são necessários a Jay Vaquer!

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