Gary Moore – Live At the Montreux 2010 (ST2 Records)

Por: David Mattos

Nota:  07

Começa o show, luzes apagadas e um solo de guitarra demorado servindo de mestre de cerimônia para a grande atração da noite.

Quando ele entra no palco, você fica na dúvida se está olhando para o Fofão ou para a Mafalda, mas basta ele começar a fazer na sua guitarra o que poucos conseguiram e conseguem, que fica claro de quem se trata: Gary Moore.

O show, gravado em Montreux, meses antes do seu coração ter resolvido se rebelar e parar de bater pra sempre, mostra um músico com absoluto domínio da técnica e amparado por uma banda irrepreensível, a altura da qualidade que ele demonstrou desde os tempos do ThinLizzy.

Contudo, entretanto, porém e todavia o show apresenta um repertório – mesmo nas clássicas – pendendo mais para o hard core do que para o blues. Os solos feitos por quem tem total domínio do ofício, beiram a farofa do heavy metal, o que vez ou outra torna o espetáculo um tantinho enfadonho. O show, analisando-se apenas a parte técnica, é perfeito, da iluminação, músicos, postura e domínio de palco, contudo, sou mais o lado blueseiro do gordinho do que o lado hard core que sempre fez questão de mesclar ao longo dos seus álbuns. O blues está lá também, mais para o final do DVD, mas aparece discreto no repertório do show.

Longe do charme do disco “Still Got The Blues”, mas íntimo da técnica, “Gary Moore – Live at Montreux 2010”, vale a pena pela qualidade com que as músicas e o show de um modo geral são apresentados, mas peca um pouco talvez exatamente por uma preocupação aparentemente excessiva com a técnica, deixando um pouco de lado a alma, o blues. Mas para compensar, os extras trazem trechos ótimos da apresentação feita por ele no mesmo festival em 1997, show que, na minha imodesta opinião, foi bem mais intenso e interessante.


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