Festival Internacional de Benicassim – Dia 3

Texto e Fotos: Fábio Mori
Revisado por: Adriana Poleto

O terceiro dia prometia, e por isso chegamos cedo para pegar boa parte dos australianos do Tame Impala que fazem um som psicodélico perfeito para o sol que se punha atrás das montanhas de Benicassim.

Destaque para a excelente “Desire Be Desire Go” que mesmo tocada em ritmo mais lento que o habitual, empolgou o público que começava a chegar. Ao vivo os garotos abusam das passagens improvisadas e efeitos de guitarra, lembrando o bom rock  dos 60.

Chegava então um dos primeiros grandes shows da noite, a banda folk Mumford & Sons, venerados na Inglaterra onde vendem quantidades absurdas de álbuns.

A fórmula de um folk pop, apenas com instrumentos acústicos e um bumbo na maioria das músicas, num primeiro momento parece que não funcionará, porém os ingleses usam e abusam das “subidas”, com um uso excepcional do banjo, colocando todos para pular e cantar.

Além de suas músicas mais famosas, como “Little Lion Man” e “The Cave”, cantadas em uníssono pelo público, a banda arriscou canções novas que estarão em seu novo disco. Para muitos ingleses o festival poderia terminar ali.

Porém a noite ainda reservava excelentes shows que puderam ser vistos apenas em parte devido ao grande line up separado para este dia, como Big Audio Dynamite, do ex-clash Mick Jones, e a sensação Bombay Bicicle Club, ambos vistos apenas de passagem, mas que deram vontade de ficar mais.

Chegava a hora do prato forte da noite, e muita gente já se aglomerava na frente do palco quando os Arctic Monkeys entraram ao som de “You Sexy Thing” e mandaram uma sequência matadora com “Library Pictures”, “Brianstorm”, “This House Is A Circus” e “Still Take You Home”, que fez muita gente na frente do palco passar mal, além de mostrar a coesão da banda ao usar músicas de três de seus quatro álbuns.

Porém, apesar de um bom show, talvez pela escolha da ordem do repertório, que começou excelente, teve alguns momentos de relativa tranquilidade, como na sequência “Crying Lightning”, “Brick by Brick” e “The Hellcat Spangled Shalalala”, para alívio de algumas pessoas, e de extrema velocidade e força como os hits “Teddy Picker”, “I Bet You Look Good On The Dancefloor” e “When The Sun Goes Down”, este último que fechou o show antes do bis.

Então um momento estranho, um final de show que contou com a empolgante “Fluorescent Adolescent” e deu uma freada brusca com a última “505”, que fez o show terminar em marcha lenta.

No total um bom show que mostra cada vez mais a maturidade da banda no palco, mas que poderia ter sido ainda melhor.

Um grande show ainda prometia aquela noite, o Primal Scream subia às 2 da manhã para apresentar músicas de seu clássico disco “Screamadelica”, que completa 20 anos em 2011, e outros hits, em show que será repetido no Brasil em setembro.

O disco, que traz uma junção primorosa entre a música eletrônica e rock, foi perfeito para encerrar a noite, com todos os presentes dançando até às 4 horas da manhã, beneficiados pela saída de parte do público após o show anterior.

À frente do grupo, o tresloucado Bobby Gillespie, dança e canta muito, e incita o público a participar da enorme festa que toma o palco, enfeitado por imagens do disco e da banda num telão.

Começando com a excelente “Movin’ On Up”, o show deixou reservado para o final os seu mais empolgantes e dançantes, fazendo uma sequência destruidora com “Loaded”, “Come Together”, “Country Girl”, “Jailbird” e “Rocks”, para deixar o público saindo do recinto com um sorriso na cara.

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