10ª edição transforma Vitoria-Gasteiz na capital do rock por 3 dias
Por Fábio Mori
Fotos: Tom Hagen
Uma grande celebração do rock n roll, assim pode ser definida a 10ª edição do Azkena Rock Festival. Por mais que passeie por suas mais variadas vertentes, seja o indie, clássico, hard, stoner ou metal, o que o Azkena promete, e entrega, são 3 dias do que de melhor existe no mundo do rock.
O festival se situa em Vitoria (ou Gasteiz, em Euskera) a capital do país basco, com pouco mais de 200.000 habitantes e um bonito centro histórico, a apenas 15 minutos andando do recinto onde ocorrem os shows.
Este ano, a temática de Las Vegas dominava o evento, e além de um cassino e fichas de poker para comprar bebidas, uma pequena capela celebrava casamentos “abençoados” por Lemmy, e roupas de Elvis e Marylin Monroe para os noivos.
Também, por motivo das celebrações, os atendentes foram agraciados com diversos presentes, como uma camiseta, postais com os pôsteres de todos os anos, uma bolsa e um passaporte para ser usado como desconto em entrada de eventos. Além disso, os tradicionais shows na praça central da cidade aconteceram este ano, mais uma vez curando a ressaca do público nos dias seguintes.
A jornada começou com o “super grupo” Black Country Communion, que conta na sua formação com Jason Bonham, filho do lendário baterista do Led Zepellin, e que herdou a porrada do pai na bateria, e o baixista e vocalista Glenn Hughes, ex-Deep Purple, Black Sabbath entre outros, tomando o palco este que proclamava “Estamos montando uma fundação do Rock”!
Normalmente mais morno nas outras edições o primeiro dia, viu-se bastante cheio já no meio da tarde, quando um irreconhecível Ian Astbury liderava o Cult através de seus diversos clássicos como “Sweet Soul Sister” e “Fire”, cantadas em coro pelos presentes.
Muito falante, e com uma estranha fixação pelo público que urinava nos limites do festival, o cantor exibia uma rotunda forma que ao menos foi amenizada com a presença de sua marcante voz.
Já escurecia quando Rob Zombie tomou o palco, e seu show, um misto de contos de horror, camas elásticas, e tentativas frustradas de entreter a multidão não vingou, apesar da qualidade dos músicos. O cantor foi brindado com alguns pulos durante alguns de seus hits como “Scum of The Earth” e “Never Gonna Stop”, e saiu como apenas mais uma atração do festival.
Eis que então entra em cena a maior estrela da noite, e responsável por trazer um público recorde de 18.500 pessoas ao primeiro dia do ARF, o príncipe das trevas, Ozzy Osbourne. Focando em seu melhor trabalho, o disco “Blizzard of Ozzy” gravado com Randy Rhoads e, por sorte, esquecendo de seus últimos álbuns lançados, Ozzy e sua banda levantaram o público com músicas como “I Don’t Know”, “Suicide Solution”, “Mr. Crowley” e “Bark at The Moon”.
Ainda fez um de seus famosos momentos “sem noção” ao usar uma mangueira de água gelada para molhar um público, numa madrugada em que a temperatura, normalmente amena, atingiu menos de 10 graus.
Confiando em seu melhor repertório, e com uma banda afiada, Ozzy fez um excelente show, apesar de uma parte “solo” dos membros da banda um pouco arrastada, mas que serviu para demonstrar o talento de seu novo guitarrista Gus G, incumbido de cobrir a lacuna deixada pelo ícone Zakk Wylde.
A cargo de fechar a noite a nova formação do Kyuss, batizada de Kyuss Lives! fez um excelente trabalho.
A banda que era inicialmente formada pela dupla Josh Homme e Nick Oliveri, que depois fundaram o Queens of the Stone Age que tocou no dia seguinte do festival, distribuiu seu som porrada que justamente parece uma prévia ao que viria a ser uma das grandes bandas do século 21.
Infelizmente o esperado encontro com Homme e Oliveri não aconteceu, mas mesmo assim foi um show sensacional. Lembrando que o Kyuss Lives! toca dia 13 de novembro no Clash em São Paulo, imperdível!












