Primavera Sound começa com shows lotados, e grandes filas
Por Fabio Mori
Foto: Primavera Sound / Dani Canto
A capacidade de 5.000 pessoas do Poble Espanyol não foi o suficiente para tanta gente que queria ver os primeiros grandes shows do Primavera Sound, dos veteranos Echo & The Bunnymen e o recente Caribou. Filas enormes, no estilo sai um/entra um, estenderam-se já antes do show do Echo, o que fez com que muita gente desistisse de entrar. O cenário é ideal para um show, uma praça no estilo espanhol, com prédios cercando.
Mesmo a fila para imprensa e convidados caminhava lentamente devido ao guiché único destinado para cada um desses, e durante as 2 horas esperando, ouvimos o show do Echo & The Bunnymen completo da fila. Como vem sendo comum nos últimos shows da banda de Ian McCulloch, as opiniões divergem, mas dão conta de um show regular.
Enfim entramos apenas para o Caribou, que parece ter atraído um enorme numero de fãs, em que este que os escreve não se inclui. Ao vivo, o grupo se baseia em uma forte base eletrônica, aliada a uma bateria poderosa e um baixo marcante, e explora muito a formula de músicas que “crescem”, fazendo o publico dançar. O clímax do show se deu com o maior hit dos canandenses, “Odessa” e que no bis foi seguido por “Sun”. Ao final do show, o multi-instrumentista Daniel Victor Snaith se mostrou muito simpático, e desceu para conversar com todos na grade.
Apesar de apenas um show visto, o saldo foi positivo, mas fica no ar uma duvida de se o Primavera Sound tenha ficado grande demais. É cedo para avaliar, já que os shows de ontem eram apenas um aperitivo ao que está por vir, num lugar com pouco mais de 10% da capacidade do recinto oficial. Outra característica marcante é a forte presença internacional, principalmente de ingleses, mas que se estende para Portugal, Bélgica, Brasil, Holanda…. revelando como o turismo musical, uma industria que só no Reino Unido movimenta cerca de 1 bilhão de dólares ao ano, é bem explorado na Europa, algo para se inspirar no Brasil.
Showcases da Apolo
Segunda e terça feira foram dias de testar novas promessas nas salas da Apolo. No primeiro dia os selos Bcore e Acuarela apresentaram alguns de seus artistas. O primeiro, mais focado em bandas espanholas com guitarras pesadas e aceleradas teve como destaque os bascos do Capsula, que descarregaram seu rock influenciado por gente como Stooges, em uma porrada só. Já no Acuarela, com artistas de diversos países, o melhor show ficou a cargo dos ingleses Darren Hayman & The Secondary Modern, ex-líder de uma cultuada banda indie, a Hefner, com um pop legal e letras espertas, que além do show na Apolo, apresentou-se no dia seguinte no bar “Fantastico”, em plena hora do almoço, apenas violão e voz, sem amplificação, muito bom!
No dia seguinte o destaque ficou para os artistas do selo Heart of Gold, calcado em música soul e anos 60. Sua principal estrela Eli Paperboy Reed, mostrou versatilidade ao usar uma guitarra no lugar do piano que falhou na hora, além de participar numa música das Pepper Pots, garotas locais que baseiam seu repertório em covers como The Supremes e músicas próprias. Esse foi também o dia de estreia dos brasileiros do Garotas Suecas, que apesar de ser desfavorecidos pela saída do público que entrou especialmente para ver Eli, fizeram um show competente, mas que não empolgou tanto os espectadores.
O Garotas Suecas ainda toca amanhã, na programação oficial do festival.









