Grinderman se destaca na primeira grande noite do Primavera Sound

Texto: Fabio Mori
Revisado por: Adriana Poleto
Foto: Primavera Sound / Dani Canto

Nick Cave, à frente do Grinderman

Já em seu habitat natural, o Parc del Forum, o Primavera Sound deu início ao primeiro de três dias de uma maratona intensa de shows. Com a programação em mãos, tabelinhas preparadas, e muita disposição para andar o enorme recinto do Forum, a multidão começou a se aglomerar às 19:00, quando ainda estava claro em Barcelona.

A primeira atracão que conferimos, foi a pseudo estrela indie, Sufjan Stevens. O show teve lugar no auditório do Forum, com capacidade para 3.200 pessoas, em que as entradas, concorridíssimas, foram distribuídas por meio de sorteios realizados no site do festival. Com a casa cheia, Sufjan, que como o próprio menciona, está acostumado a fazer shows folk, entrega uma viagem espacial de pop cósmico, com direito a efeitos de luz, asas de anjo e dançarinas com coreografia ensaiada. A montagem é muito boa, apesar de em alguns momentos beirar o ridículo, com danças dignas de abertura do Fantástico, e até uma descida de nave espacial, que lembrou os melhores momentos da Xuxa. Mesmo assim, o cantor e multi-instrumentista se mostra um verdadeiro show man, conseguindo levar a plateia a altos e baixos, como no cover de The One I love do REM, apenas com voz e violão.

“Hoje eu tocarei, Pop cósmico”, Sufjan Stevens no Auditori

O show de 2 horas, longo para padrões de festival, fez com que perdêssemos John Lydon e o seu Public Image Limited, aproveitamos a leve pausa para comer alguma coisa, e emendar no palco San Miguel, para ver o Grinderman. A banda liderada magistralmente pelo australiano Nick Cave mostrou um show pesado, carregado de distorções, até em violinos e uma guitarra/cavaquinho. A voz ao mesmo tempo fantasmagórica e reconfortante de Cave domina a barulheira toda, e conduz o show de maneira excepcional, ocasionalmente adentrando à plateia ensandecida. Um show memorável, com destaque à excelente “No Pussy Blues”.

Em seguida se deu um dos principais momentos de dúvida nos atendentes, que banda ver entre Interpol, Caribou, Suicide e Das Racist. Como ainda não havíamos visto, optamos pelos primeiros, e atravessamos o enorme Parc del Forum (uns 800 metros entre os 2 palcos principais) e chegamos com o show já começado. O vocalista Paul Banks, além de falar um espanhol quase perfeito, segura a voz ao vivo, de uma maneira idêntica aos álbuns do grupo. Os arranjos também reproduzem com exatidão os quatro trabalhos dos nova iorquinos, e por isso, o show, assim como a discografia do grupo apresenta oscilações.

Wayne Coyne promove uma festa na madrugada de Barcelona

De volta à corrida para o maior palco do festival, chegamos quando Wayne Coyne havia abandonado sua usual bolha de plástico, e distribuía bolas de plástico colorido, confetes e serpentinas ao som da alegre Race for The Prize. No palco, o Flaming Lips é uma festa, sendo praticamente indissociável a música da montagem do espetáculo. Na sua maior parte em alto astral, o show foi excelente para fechar o primeiro dia, por momentos fazendo esquecer que eram 4 horas da manhã. E apesar de algumas horas com um discurso um pouco longo, e momentos musicais não tão inspirados, o Wayne Coyne e os seus fazem um show ao melhor estilo de um festival europeu.

Acabado o Flaming Lips, vários shows seguiriam ate às 6 da manhã, mas arredamos pé, já que hoje grandes nomes como Pulp, The National e Belle & Sebastian nos esperam.

Organização

O festival se viu mais uma vez inundado de filas, e continua a impressão de que os 20% a mais de ingressos colocados à venda foram um excesso. Além disso o tão falado cartão de consumo, não vingou. Os leitores dos cartões falharam na hora, o que fez com que muita gente ficasse com créditos inutilizáveis. A solução foi liberar o uso de dinheiro vivo nas trocas, o que pegou algumas pessoas despreparadas, pois até então não havia necessidade de carregar muito dinheiro. A a nova posição dos palcos em sua maior parte funcionou, deixando boa parte dos shows à beira mar, e apesar de um pouco longe, o segundo palco principal é bem-vindo. Porém, consideradas as proporções do festival, nenhuma grande incidência ocorreu.

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